Uma loja de encher os olhos

sex, 6 Maio , 2016

pdv-06Ambientes bem sinalizados, com um layout funcional, claros e bonitos estimulam o consumidor a passar mais tempo no local e, obviamente, a consumir mais

A Arquitetura no varejo tem papel importantíssimo na forma como a loja será apresentada e usufruída pelo consumidor. É essencial que os ambientes sejam funcionais, ou seja, valorizem a função em detrimento da estética pura e simples.

A designer de interiores da RomeroLab Arquitetura e Design, Tatiana Romero, diz que, no varejo, utilizam-se técnicas profissionais para planejar os ambientes, buscando otimizar, ao máximo, a atividade fim destinada para aquele espaço. “Os ambientes devem ser organizados a fim de que tudo funcione da melhor forma possível”, diz.

Ainda de acordo com Tatiana, para que o ambiente seja realmente funcional, independente do seu porte, um passo importante é contratar um bom profissional de design de interiores ou arquitetura especializado nesse ramo, e informá-lo, corretamente, sobre as expectativas da finalidade de uso do espaço. “Só assim será possível aplicar, de forma assertiva, todas as técnicas de conforto ergonômico, térmico, acústico, acessibilidade e outras racionalizadas para o objetivo final”, comenta.

O arquiteto e diretor da PDV Brasil Arquitetura de Varejo, Carlinhos Barros Santos lembra que o objetivo principal é aumentar as vendas, por meio das boas práticas da arquitetura de varejo. “A funcionalidade deve estar presente em todo o processo, assim como em todo e qualquer projeto de arquitetura”, reforça.

Para ser funcional, o projeto deve abordar vários pontos sendo que, de acordo com Santos, dois são fundamentais. O primeiro deles é a exposição de mercadorias, que deve acontecer de uma forma limpa, organizada e adequada ao produto. O segundo é a circulação da loja, que precisa ser eficiente e permitir a aproximação e busca fácil da mercadoria que o shopper (comprador) procura. “Estes dois fatores, quando bem explorados, permitem que o cliente seja independente ao pesquisar por qualquer item, dando-lhe confiança e segurança na busca pelo seu desejo”, completa.

Dez dicas para uma loja bonita e funcional

1. Exponha as mercadorias, dando destaque aos produtos de maior valor agregado;

2. Dê destaque a produtos em promoção;

3. Facilite o acesso, melhorando a circulação entre os corredores;

4. Invista numa iluminação adequada ao ambiente, melhorando a visualização do produto;

5. Aposte em conforto ambiental com soluções, como ar-condicionado, assentos para descanso, sanitários, entre outros;

6. Tenha uma comunicação visual adequada à linha gráfica da empresa em outros meios, como propaganda, folhetos, internet, site, jornal, TV, etc.;

7. Lembre-se de que a sinalização da loja deve ser eficiente e funcional;

8. Invista em um ambiente acolhedor e visualmente harmonioso;

9. Tenha uma decoração cenográfica para as diferentes categorias;

10. Ofereça a informação completa sobre o que está sendo ofertado, sem que haja necessidade de um vendedor intervir para dar informações básicas, como preço e descrição dos produtos.

Fontes: arquiteto e diretor da PDV Brasil Arquitetura de Varejo, Carlinhos Barros Santos; e designer de interiores da RomeroLab Arquitetura e Design, Tatiana Romero

 

O que o cliente espera?

A percepção que o consumidor tem de um ponto de venda (PDV) está ligada às suas necessidades e ao perfil de consumo e também à apresentação do estabelecimento. Se o objetivo for atender a Classe D, por exemplo, os preços devem estar bem acessíveis e a loja deve ser bem iluminada e setorizada de forma clara.

“Devem-se criar fluxos amplos e diretos para entrada da loja e dificultar a saída do cliente por meio dos ‘labirintos’ de expositores. Para que esses ‘labirintos’ causem uma sensação agradável ao consumidor, é recomendado investir em ambientações com diferentes personalidades dentro da mesma loja. E a linguagem deve ser mais concreta”, recomenda Santos.

Mas se a meta da loja for a de atingir uma classe social mais alta, o ambiente deve ser mais aconchegante e cenográfico. “A venda deve ser transformada em um evento com aplicação de técnicas de cenografia, menor densidade na exposição visual e iluminação mais focada. Devem-se incluir, sempre que possível, espaços para experimentação dos produtos. A linguagem pode ser mais conceitual e abstrata”, diz Tatiana. 

De maneira geral, para que o cliente seja atraído, ele precisa entender, em poucos segundos, quais benefícios terá entrando naquele local. “Pode ser o benefício de economia, ou a satisfação de um desejo de status social, ou de identificação de uma filosofia. A comunicação no ambiente físico é muito poderosa e deve ser ricamente explorada de forma a transmitir os conceitos certos”, completa a designer.

Tráfego livre

Circulação que garanta o fluxo dos consumidores, e sem obstáculos que exijam que se desviem a outros caminhos para alcançar o produto de que precisam, é o que se espera encontrar no PDV. “O ideal é que os corredores sejam livres e amplos e formem um caminho que percorra toda a loja até chegar ao caixa, para que os clientes possam ver toda a gama ofertada. Esse caminho deve apresentar os produtos de formas diferentes, como ilhas, paredes, peças com destaque, ofertas ou vendas casadas”, sugere Tatiana.

O checkout deve ser outra preocupação, tanto do projeto arquitetônico da loja, como do atendimento. Santos alerta para o fato de que filas longas nos caixas, principalmente demoradas, afugentam a todo tipo de consumidor. “O cliente se permite levar o tempo que quiser pesquisando, analisando a compra, perguntando, barganhando e se certificando de que aquela é a escolha certa. Depois disso, ele quer sair da loja o mais rápido possível, quer pagar e receber o produto adquirido de uma maneira eficiente e sem mais percalços”, diz, acrescentando que o tempo após a efetivação da venda tem de ser o mais breve possível e também confortável: nada de filas em pé, sem ar-condicionado ou caixas em andares diferentes.

Autor: Adriana Bruno