Preparados para 2017?

sex, 25 novembro , 2016

gestao-2511Antes do novo ano começar, é fundamental que a loja já tenha um planejamento contemplando seus objetivos e desafios futuros, apontando erros, acertos e o melhor caminho para superar a crise e manter as vendas

No Brasil, a crise política com efeitos na economia trouxe impactos em diversos setores e, sem dúvida, o varejo não saiu ileso. Diante de tantas mudanças, as empresas, que não estavam devidamente preparadas para o momento de turbulência, sofreram grandes perdas e não tiveram tempo de estabelecer estratégias capazes de fazê-las resistir à instabilidade. “O planejamento deixa a organização preparada para, frente a adversidades, identificar soluções alternativas, implementando, assim, correções de rota com maior agilidade e assertividade”, aponta o sócio da assessoria em franchising Loja de Franquia, Rodrigo Morgan.

E, mais do que isso, o planejamento bem desenvolvido deixa claro, para toda a organização, a visão e os objetivos de curto, médio e longo prazos, assegurando que os colaboradores trabalhem focados em atingir os resultados esperados, evitando desperdício de tempo, energia e recursos.

Portanto, é fundamental que, anualmente, as empresas desenvolvam um plano de ação prevendo metas futuras e que o mesmo seja ajustado sempre que houver mudanças no cenário. “Hoje, mais do que nunca, precisa-se ter um planejamento que seja ajustável e permita mudanças, porque o mercado e o cenário mudam ao longo do ano e é preciso estar preparado”, analisa o gerente de Economia e Pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (APAS), Rodrigo Mariano.

Essa flexibilidade e revisão constantes do planejamento são importantes, inclusive, para que essa estratégia não acabe se tornando um bloqueio para inovar. Na verdade, o que se deve ter em mente é que inovação e planejamento são conceitos que devem caminhar sempre juntos. Uma inovação, por si só, é inócua e tende a ser prejudicial se não tiver conexão com o restante das ações da organização. “Fazendo um paralelo com um barco no mar, o planejamento dá o rumo do barco e a inovação dá a sua aceleração. Podemos ter uma inovação muito bem-sucedida, que dará à empresa uma excelente velocidade e vantagem. Mas, se esta aceleração for em uma direção contrária, poderá fazer o barco rodar em círculos no mesmo lugar. Círculos velozes e sem grandes acréscimos de distância”, compara a coordenadora acadêmica da Academia de Varejo, Patricia Cotti.

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O que levar em consideração?

No varejo, alguns temas são essenciais na hora de elaborar um plano de ação, a exemplo das questões atreladas à área de vendas. “Deve ser realizada a elaboração de metas para vendas, bem como, controlar e monitorar tais objetivos. Acompanhar as vendas por metro quadrado, por funcionário e por checkout são algumas das variáveis relevantes para no setor de supermercados”, sugere Mariano.

É essencial ainda que o varejista estude bem as suas projeções e histórico, bem como o momento econômico do mercado e intenção de compra dos consumidores. Afinal, um planejamento de demanda errado pode ocasionar tanto a falta de produto quanto o excesso dele. E ambos são extremamente prejudiciais à empresa. “A falta de produto, também conhecida por ruptura, muitas vezes, ocasiona o abandono da cesta de compras do consumidor. Por outro lado, o estoque elevado causa perdas e prejuízos financeiros, com custos de logística reversa, descarte ou saldões com diminuição de margem”, alerta Patricia Cotti, da Academia de Varejo.

E além da área de vendas, o varejo também precisa contemplar outros pontos no planejamento. “Diante de uma realidade em que o cliente deve ser foco de qualquer estratégia, o comportamento do consumidor precisa ser sempre levado em consideração, entendendo suas demandas”, aconselha o consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, de São Paulo (Sebrae-SP), Fabiano Nagamatsu, salientando que o plano também pode contemplar outros pontos, como investimentos futuros; otimização das atividades operacionais; recursos humanos; tecnologias; fornecedores; e avaliação constante para visualizar se o que a empresa oferece condiz com as necessidades do mercado. A concorrência também precisa ser observada, mas com cautela. “Às vezes, a concorrência desenvolve uma ação, mas nem sempre a sua loja tem estrutura para acompanhar aquela realidade. Portanto, a capacidade interna precisa ser avaliada”, adverte Nagamatsu.

Autor: Kathlen Ramos