Passos importantes

qua, 7 fevereiro , 2018

Para começar bem o ano, as empresas devem concentrar esforços na organização e no planejamento de suas finanças para que, com isto, possam otimizar o uso do caixa e evitar desperdícios

Para medir a saúde financeira de uma empresa, o primeiro passo é examinar  suas finanças. Assim como as pessoas cuidam da saúde, a empresa também precisa passar por checkups e análises periódicas, para evitar problemas futuros com o caixa e, consequentemente, com a estabilidade da mesma.

Segundo o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), José Roberto Securato Junior, a organização financeira é um processo com diversos estágios. O mais básico é o controle do fluxo de caixa com acompanhamento de pagamentos e recebimentos em tempo real, e projetados.

O próximo passo é fazer a gestão da competência contábil e produzir os relatórios financeiros e gerar os impostos a pagar. “Pode-se evoluir integrando a finanças com a produção/vendas. Por fim, entram o planejamento e estratégia”, diz.

Securato Junior reforça ainda que a organização financeira é importante, mas não faz milagres, pois a empresa tem um fluxo de caixa finito para trabalhar. “No entanto, ao se organizar do ponto de vista financeiro, o gestor consegue otimizar o uso do caixa e evitar desperdícios desnecessários. Nada justifica, por exemplo, uma empresa pagar um boleto com um dia de atraso e 10% de multa”, reforça.

Outro passo importante é o de separar as finanças empresariais da pessoa física (sócios), diz o sócio fundador da Blue Numbers, Márcio Iavelberg. Também é fundamental organizar todos os relatórios e indicadores.

“Se não tiver feito o Planejamento Orçamentário, deverá fazê-lo, de forma criteriosa. Posterior a isso, deverá confrontar esse planejamento mensal com o que efetivamente realizou. Caso necessário, deverá efetuar reajustes no planejamento ou redesenhar seus processos”, orienta.

A organização financeira é ainda necessária para entender como as atividades da empresa afetam outros aspectos. “É fundamental que o negócio se mantenha saudável e produza o retorno financeiro necessário para os sócios, pois caso contrário, ele tenderá a prejudicar a situação financeira dos sócios e cairá no declínio, levando consigo funcionários, sócios e outros interessados (stakeholders – público estratégico)”, comenta o coordenador dos cursos de Finanças do Labfin-Provar, Marcos Pielluschi.

O especialista compara o planejamento e a organização das finanças de uma empresa ao pessoal. “Você planeja o quanto vai ganhar e quanto vai gastar. Considera cenários alternativos, como, por exemplo, se a renda for menor do que a prevista ou se houver itens extraordinários ou contingências”, mostra, destacando que com a empresa é o mesmo processo.

“Considera-se um cenário mais provável, elaborado a partir do histórico de vendas, custos, despesas, entre outros. A partir disso, projeta lucro, necessidade de recursos, lucros a distribuir, etc. Então pode construir situações alternativas, considerando resultados mais otimistas e também pessimistas”, explica.

Falta de conhecimento gera dificuldades

É importante que os profissionais ou gestores que estiverem à frente do setor financeiro ou administrativo das empresas tenham conhecimento na área para tomar atitudes assertivas, segundo defende o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira, Reinaldo Domingos.

Para ele, esses profissionais devem seguir alguns passos para conseguirem organizar as finanças da empresa. Entre eles, levantar todos os custos e despesas e também toda a renda dos últimos seis meses, no mínimo; separar as despesas fixas das variáveis; e acompanhar se as despesas estão dentro do orçamento.

“Esses passos devem ser repetidos, até se adequarem ao que deseja. Estabelecendo novas metas e resultados, criando o hábito de diagnosticar, planejar e controlar os custos do seu empreendimento”, orienta.

Para planejar o futuro da empresa com menos riscos, a head de projetos de eficiência operacional da AGR Consultores, Jéssica Costa, afirma que o orçamento é o mapa da mina.

“É preciso analisar o passado e planejar o futuro em metas factíveis que mostrem o que pretendemos vender, a que custo e com quais despesas. O orçamento é a peça mais importante para a execução da estratégia da companhia”, comenta.

Empresas adotam a PLR para incentivar e valorizar equipes

Conhecida no meio corporativo simplesmente como Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o  o reconhecimento em dinheiro distribuído a um grupo de colaboradores por sua contribuição nos resultados da companhia.

A PLR bem implementada tem fator decisivo no atingimento dos objetivos da empresa, uma vez que os colaboradores, para ganhar seu “bônus”, trabalharão para superar seus objetivos e, consequentemente, aumentar os resultados da companhia.

“Para implementar um plano de remuneração variável, é importante que a empresa tenha suas metas previamente estabelecidas e divulgadas. Objetivos estratégicos e táticos devem ser traçados e desdobrados para todas as áreas da organização”, orienta a head de projetos de eficiência operacional da AGR Consultores, Jéssica Costa.

Segundo explica o coordenador da equipe de suporte técnico do sistema Gestão Empresarial da Contmatic, Edgar Alves Mira, alguns sindicatos estabelecem sua obrigatoriedade em convenção coletiva.

“A aplicabilidade e regras para pagamento podem ser definidas por uma comissão com representantes da empresa, dos empregados e homologado pelo sindicato dos empregados”, diz.

A porcentagem que as empresas mais costumam oferecer é de 1/12 avos, multiplicado pelos meses trabalhados, onde 1 representa o salário recebido integralmente.

“Mas antes de implementar a PLR, é muito importante incluir esse valor no seu orçamento para não gerar desconforto entre os colaboradores e, principalmente, não ter de tirar depois de implantado”, alerta o consultor de gestão da Inside Business Design, Marcelo Scharra.

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