Para começar com o pé direito

seg, 12 setembro , 2011

Elaborar um plano de negócios é pensar no futuro da empresa. Reduzindo riscos e ampliando as chances de sucesso

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Dificilmente fazemos alguma coisa sem planejamento. Desde o momento que acordamos está tudo planejado. A hora de levantar, o café da manhã, a roupa do trabalho, a hora de sair de casa e assim por diante. Aliás, quando alguma coisa interrompe essa rotina, pronto, ficamos perdidos, porque algo atrapalhou o nosso planejamento. No cenário corporativo é basicamente a mesma coisa. Uma empresa para existir precisa ser planejada, estudada, estruturada. A isso os especialistas creditam o nome de plano de negócios. Para o consultor e sócio-diretor da Ação Consultoria Empresarial e de Negócios, Alex Taciano Müller, o plano de negócios é um estudo que descreve de forma completa o que é ou o que pretende ser uma empresa e tem o objetivo de estruturar as principais ideias e opções que o empreendedor deverá avaliar para decidir quanto à viabilidade da empresa ou do produto a ser criado. “É uma forma de pensar sobre o futuro do negócio: aonde ir, como ir mais rapidamente, o que fazer durante o caminho para diminuir incertezas e riscos. O plano de negócios pode identificar que o empreendimento tem grande potencial de sucesso, mas também pode dar evidências de que o empreendimento é irreal, que existem obstáculos jurídicos, que os riscos são incontroláveis, ou que a rentabilidade é aleatória e insuficiente para garantir a sobrevivência da empresa ou do novo negócio. Trata-se de uma análise mais aprofundada resultante do levantamento de cenários e que reúne, portanto, todos os elementos do processo empreendedor, desde a identificação de uma oportunidade até a sua implementação”, esclarece.

APLICAÇÕES ESTRATÉGICAS DO PLANO DE NEGÓCIOS

  •  Ser o modelo orientador ao novo negócio
  •  Alavancar e prospectar novos negócios
  •  Negociar a empresa
  •  Obter capital de risco
  •  Captar novos investidores
  •  Desenvolver parcerias
  •  Instrumento de organização
  •  Instrumento de gestão, direção e controle

Fonte: Alex Taciano Müller – Ação Consultoria Empresarial e de Negócios

Müller ainda ressalta que para que a organização se torne ágil e consistente em suas decisões e ações cotidianas nos níveis tático e operacional, evitando-se decisões equivocadas e muitas vezes onerosas, é necessário que todos os seus diretores, funcionários e colaboradores saibam exatamente o que a empresa deseja: aonde quer chegar; como; quando; e quais recursos estarão disponíveis para tal. “O desenvolvimento do plano de negócios e a sua implementação, com a participação direta desses profissionais, possibilita que eles se tornem responsáveis pelo resultado e conquista dos objetivos”, completa.

Planejamento minimiza erros imaginados, mas não garante o sucesso. As pessoas são muito preocupadas em planejar, quando a primeira coisa a pensar deveria ser o propósito do negócio

Um dos professores do curso de Administração da ESPM, Renato Cecconello, compara o plano de negócios a uma viagem planejada a curto, médio e longo prazo. “Se você não sabe para onde quer ir e qual caminho seguir, não terá condições de tomar o conjunto de decisões necessárias para se posicionar junto à empresa e ao mercado”, diz. Ainda segundo Cecconello, nenhum negócio está isento de risco, e o empresário precisa ter boas informações para tomar decisões certas relacionadas ao seu empreendimento. “A chave de tudo é conhecer a fundo o mercado de atuação da empresa, bem como suas necessidades e o público-alvo. Sem isso, a chance de sucesso é pequena. O pequeno varejista muitas vezes investe todo o seu capital na abertura do negócio e por isso mesmo não dá para seguir apenas a sua intuição, nem tampouco tentar antecipar cenários. A economia é muito dinâmica, as mudanças acontecem a todo momento e o fato de ter um plano de negócios bem elaborado ajuda a minimizar riscos”, avalia.

PLANEJAMENTO NÃO DEVE FICAR NO FUNDO DA GAVETA
O plano de negócios e o planejamento estratégico de uma empresa não devem ser pensados uma única vez. Aliás, esse é um erro comum, segundo o consultor Reinaldo Miguel Messias, do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo – Sebrae-SP. “O planejamento é algo que não pode ser feito uma única vez e guardado em uma gaveta. Ele é o norteador que permite ao empresário antecipar ações dentro do cenário do mercado. Mas é preciso alertar para o fato de que planejamento minimiza erros imaginados, mas não garante o sucesso”, orienta Messias. Ainda de acordo com o consultor, em geral, as pessoas são muito preocupadas em planejar, quando a primeira coisa a pensar deveria ser o propósito do negócio. “Dentro dele, é preciso identificar sempre quem vai fazer o que e para quem algo vai ser feito. No caso do varejo são três focos básicos: vender (operação de dentro para fora da empresa); fazer (dominar os processos internos, comprar, estocar) e controlar (ferramenta do planejamento que deve liderar todos os processos)”, comenta.

Essa compreensão ajuda o empresário a identificar onde estão as oportunidades, riscos e barreiras de seu negócio, facilitando os planos para a empresa a curto, médio e longo prazo. Para Renato Cecconello, à medida que o empresário vai conhecendo melhor o seu negócio ele tem condições de aprimorar o plano inicial. Agora, quando o plano de negócio não foi previamente elaborado, fica mais difícil saber o que melhorar. “A projeção de resultados é algo que faz parte do plano de negócios. Saber o que a empresa pode render é fundamental, mas deve-se levar em conta o tempo de maturação do negócio, inclusive para planejar o quanto precisará ter de capital de giro ou, ainda, se terá de recorrer a financiamentos”, diz Cecconello. O professor explica que em qualquer etapa da empresa é preciso manter o foco no cliente. “O empresário tem de pensar com a cabeça do cliente e enquanto enxergar isso conseguirá cativar esse cliente. Tomar decisões com o coração pode comprometer esse foco. Por isso, ele deve compreender a demanda, a oferta e os riscos de seu negócio, planejando o futuro da empresa, porém com o entendimento necessário”, avalia.

10 DICAS PARA PLANEJAR O FUTURO DE SUA EMPRESA

1 Pesquise bem o mercado que pretende atingir. Tenha um bom conhecimento da concorrência, fontes de suprimento e público-alvo. Faça a seguinte pergunta e avalie seu grau de coerência frente à resposta: “Como vai este segmento de negócios?”
2 Reúna conhecimentos apropriados sobre a atividade. Ter um bom domínio dos aspectos estratégicos e operacionais é diferencial de sucesso na atividade. Basicamente é ter segurança suficiente para responder à seguinte questão: “Como se ganha dinheiro neste tipo de negócio?”
3 Desenvolva sua visão empresarial e mercadológica. Esteja “antenado” em tendências e cenários que afetam e interagem direta ou indiretamente o seu ambiente de negócios. Responda à seguinte questão: “O que pode afetar este tipo de atividade?”
4 Desenvolva um estilo de gestão baseado em fatos e evidências. Tenha um sistema formalizado de informações que permita a todo o momento interagir com os processos de tomadas de decisões. Só gerenciamos o que podemos medir. Responda à seguinte questão: “Como posso controlar e tomar decisões rápidas neste negócio?”
5 Determine a adequada estrutura organizacional. Comandar uma empresa é estabelecer estratégias transformadoras de capital em resultados planejados. Para viabilizar essas estratégias, é necessário criar um conjunto formal e ordenado de autoridades, permissões, e responsabilidades que operarão o sistema de gestão. O objetivo desse processo é coordenação e controle. Responda à seguinte questão: “Como vamos operar e quanto isso vai afetar os resultados financeiros?”
6 Conheça a Legislação. Esteja em sintonia com as legislações sanitárias, trabalhistas, fiscais e tributárias além de conhecer e praticar as recomendações do Código de Defesa do Consumidor. Responda à seguinte questão: “Conheço e estou bem assessorado sobre os impactos legais no desempenho de minha atividade?”
7 Controle os investimentos e gastos. É fundamental planejar os investimentos bem como conhecer adequadamente as fontes de recursos disponíveis para levar o projeto adiante. Responda com atenção: “Quanto iremos investir neste plano e qual o retorno esperado?”
8 Foco nos lucros e na rentabilidade: um pequeno negócio não sobrevive sem lucro. É preciso que seja autossustentável e que permita sempre o reinvestimento, a partir do lucro gerado. Responda com segurança “Por que investir os recursos por este período de tempo nesta atividade?”
9 Atenção com marketing. Os canais de comunicação e comercialização, os profissionais e as agências são fundamentais para fomentar melhores resultados. Responda: “Em que gastaremos e quanto serão os investimentos em MKT para atingir os resultados esperados?”
10 Planos existem para ser colocados em ação! Planos não ficam em gavetas. São conjuntos de estratégias dispostas no tempo que almejam resultados. Revise os pontos fundamentais e comece a implantação! Responda: “Estamos preparados para a implantação?”

Fonte: Reinaldo Miguel Messias – Sebrae-SP

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