O braço direito da liderança

qua, 20 setembro , 2017

Entenda as atribuições e especialidades que um gerente de loja precisa ter dentro do negócio e quais são as responsabilidades deste colaborador frente aos resultados financeiros e ao desenvolvimento da equipe

No início das atividades de uma empresa, especialmente entre aquelas de menor porte, é natural que as principais decisões estejam centralizadas junto ao proprietário. Entretanto, à medida que a companhia cresce, a necessidade do empreendedor de ter alguém que o represente para gerir o negócio aumenta na mesma proporção.

No varejo, o apoio que esses executivos tanto precisam no dia a dia, de modo geral, vem do cargo de gerente de loja, o que torna este posto uma posição-chave.

Esse profissional será diretamente responsável pelo rendimento da empresa, ajudará na tomada de decisões estratégicas e auxiliará na organização da equipe – dividindo tarefas e acompanhando os resultados.

“Os gerentes atuam como gestores de unidades de negócios, lidam com parte do patrimônio da empresa e recursos ali estabelecidos, como instalações, equipamentos, estoque e o caixa”, diz o coordenador do Núcleo de Varejo Retail Lab ESPM, Ricardo Pastore.

Diante de um posto tão importante, escolher um gerente para a loja não é tarefa fácil. Mas alguns direcionamentos podem apontar para a pessoa ideal. Para que esse profissional garanta o funcionamento do negócio de acordo com as regras e estratégias estabelecidas e assegure a satisfação dos clientes, algumas habilidades são necessárias, segundo afirma a consultora do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, de São Paulo (Sebrae-SP), Maria Terezinha Peres.

“Esse profissional precisa ter uma postura profissional que demonstre os valores e princípios da empresa, sendo exemplo de atitudes para toda a equipe e a imagem da companhia para o mercado”, opina.

Além disso, esse colaborador também precisa de muito conhecimento técnico. “É necessário conhecer bem os produtos e o público a ser atendido, ser um bom vendedor, estar apto a gerenciar os recursos materiais e a equipe da loja.”

Aliás, em relação à equipe, esse profissional precisa coordenar o desempenho dos funcionários, avaliando os resultados individuais e dos grupos, realizando feedbacks a fim de reforçar os comportamentos positivos, melhorar aqueles que precisam de reorientação, verificar necessidades de capacitação, entre outras atribuições.

“Também fazem parte do escopo do gerente, participar da seleção de novos funcionários; criar formas de incentivar as vendas e solucionar conflitos interpessoais, seguindo os critérios existentes ou consultando seus superiores a fim de formular decisões justas”, enumera Maria Terezinha.

É hora de promover um funcionário?

Para a diretora de Desenvolvimento de Novos Serviços e Produtos da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil), Sônia Gurgel, um profissional estará pronto para a gerência quando: tiver bom conhecimento do negócio e dos clientes; tiver as competências básicas para a liderança, tais como: boa comunicação, saber ouvir e ter iniciativa/pró-atividade; for um bom exemplo com relação à assiduidade, apresentação pessoal e atenção ao cliente; e for reconhecido pelas boas atitudes no desempenho geral de suas atividades. “Um bom gerente precisa ter a postura de dono para que o negócio prospere”, resume.

Embora também sejam características importantes, não basta o gerente ser contratado, apenas, pelo seu bom desempenho nas metas de vendas. Os especialistas na área reforçam que a postura de líder é essencial.

“As competências de gestão de pessoas são diferentes em relação às exigidas ao vendedor”, adverte a especialista do Sebrae-SP. “O funcionário escolhido deve ser exemplo de postura entre os demais da empresa e sua atuação com a equipe deve ser profissional e de bom relacionamento”, acrescenta.

Atribuições do gerente

Organização da loja: ser responsável pela vitrine, layout, mix de produtos, infraestrutura, entre outras responsabilidades. Conhecer produtos, categorias e como os principais concorrentes organizam suas lojas para, então, poder aplicar o padrão de exposição e atendimento exigido pela empresa.

Atendimento ao consumidor: estruturar a implantação de processos operacionais da loja, fornecendo informações, capacitando e orientando a equipe sobre as ações e atitudes a ser tomadas. Efetuar correções, quando necessário, com o objetivo de aprimorar as operações e o atendimento aos clientes.

Controle de entradas e saídas: coordenar e acompanhar os processos de entradas e saídas de produtos, fazendo correções e controlando o estoque da loja. Solucionar problemas operacionais não previstos no manual de gestão.

Controle de patrimônio: abrir e fechar a loja nos horários de funcionamento predeterminados pela diretoria da empresa, executando todos os procedimentos estabelecidos para o início e término das atividades, visando garantir o funcionamento adequado e a segurança da loja.

Vendas e resultados financeiros: gerenciar e incentivar o desempenho da equipe, instruindo-a quanto à forma correta de execução das vendas e dos demais processos. Verificar como os procedimentos estão sendo realizados, a fim de proporcionar a integração dos processos e obter maior produtividade.
Monitorar a performance e o resultado operacional da loja frente às metas estabelecidas. Estar apto a interpretar relatórios, como Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), para influenciar, com suas decisões diárias, os resultados da loja de maneira positiva.

Decisão sobre o mix de produtos: participar das escolhas de produtos a ser adquiridos pela loja, considerando seu conhecimento do mercado (necessidades dos clientes, novas marcas, fornecedores, tendências, etc.), por meio de constante atualização em diversos canais e fontes de informações, como feiras, sites, participação de grupos, etc.

Fontes: consultora de Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, de São Paulo (Sebrae-SP), Maria Terezinha Peres; e coordenador do Núcleo de Varejo Retail Lab ESPM, Ricardo Pastore

Para Pastore, diante de um posto tão estratégico, a promoção desse profissional precisa ser um processo, que deve ser preparado e planejado com antecedência, envolvendo definição de perfis desejados e formação/capacitações que o futuro gerente deverá desempenhar.

“Deve-se, por exemplo, explorar quais cursos superiores são os mais indicados para sua formação, quais são as habilidades gerenciais a ser desenvolvidas – liderança, gestão do tempo, uso de ferramentas de informática e digitais, habilidades em finanças aplicadas ao negócio e também conhecimentos de marketing”, enumera.

De modo geral, também é desejável que esse profissional seja graduado. “O ideal é ter uma formação em administração de empresas, que poderá, com o tempo, ser complementada por cursos de especialização em vendas, logística, gestão de pessoas, conforme necessidades específicas”, indica Sônia.

É igualmente importante que desenvolvam experiências no varejo, bem como tenham uma visão global do negócio. “Não é suficiente o gestor conhecer somente a realidade de seu departamento e das tarefas sob sua responsabilidade. Ele precisa entender como esses elementos se integram aos propósitos maiores da companhia, que impactos geram nos demais departamentos e como pode contribuir para torná-los mais relevantes ao negócio da empresa”, resume o sócio fundador da Alliance Coaching, Sílvio Celestino.