Necessidade diária

ter, 18 julho , 2017

Vital para a manutenção de uma empresa, o capital de giro nunca pode ser comprometido e é sensível ao resultado da empresa

Ao definir o que é e a importância do Capital de Giro (CDG) para uma empresa, é possível fazer uma analogia com a vida doméstica. Numa casa, ao receber o salário do mês, as contas são pagas e o que sobra pode ser usado em alguma necessidade do lar, por exemplo.

No mundo corporativo, a mesma analogia pode ser aplicada. O CDG é aquele recurso usado pela empresa para financiar a continuidade de suas operações. Como o próprio nome indica, ele está diretamente relacionado às contas que movimentam e giram os negócios no dia a dia.

“O CDG é importante para que o responsável pela área administrativa da companhia consiga organizar o investimento necessário, a fim de pagar as contas e adquirir novos insumos para a empresa sem a necessidade de se endividar”, comenta o administrador de empresas e consultor de gestão da Inside Business Design, Marcelo Scharra.

Para definir o CDG de uma companhia, é necessário saber quais são os custos fixos, como impostos, folha de pagamento, transporte e aluguel. Em seguida, definir a quantidade de vendas, que será responsável por gerar a receita necessária para cobrir as despesas e levar ao lucro. “É muito importante manter a atenção no estoque, pois, muitas vezes, ele se torna um capital imobilizado”, alerta Scharra.

De importância ímpar para a saúde financeira da empresa, o CDG não deve ficar abaixo do mínimo e, quando isto acontece, significa que não existem recursos próprios para realizar os pagamentos, quer sejam dos fornecedores, folha de pagamento e todos os outros. Torna-se, assim, necessário recorrer a capital de terceiros, como bancos.

“Isso encarece a operação como um todo porque esse tipo de recurso é sempre mais caro”, alerta o consultor e fundador da Telos Resultados, Luiz Muniz.

Para afastar o risco de comprometer o CDG, o gestor também deve redobrar os cuidados com a venda a crédito. De acordo com os especialistas, quanto maior o prazo oferecido ou quanto maior a quantidade de parcelas no faturamento da empresa, mais recursos financeiros o negócio precisará ter.

“É preciso ter em mente qual o prazo e o valor máximo com que as vendas podem ser realizadas a crédito, a fim de não comprometer a capacidade de pagamento da empresa”, adverte o especialista da Telos.

Fazendo cálculos

Segundo explica Muniz, o CDG é um indicador que compõe o perfil de liquidez da empresa e representa o saldo entre as aplicações [Ativo Circulante (AC)] e as fontes de recursos de curto prazo [Passivo Circulante (PS)]. Resume-se na capacidade que a empresa tem em honrar seus compromissos em dia sem precisar de terceiros.

Muniz mostra que uma técnica utilizada para o cálculo do CDG é chamada modelo de Fleuriet e, nela, o CDG ideal deve ser sempre maior que zero e calculado com base no Balanço Patrimonial.

“A fórmula técnica desse indicador é CDG = AC – PC”, ensina. AC são aquelas contas do balanço patrimonial que dizem respeito a contas a receber, estoques, caixa, investimentos de curto prazo, etc. Já o PC são as contas a pagar, dívidas com fornecedores de mercadorias ou matérias-primas, impostos a recolher, entre outras.

Capital de Giro saudável e sem segredos

• Mantenha o fluxo de caixa detalhado com previsões futuras, pois esta é a principal ferramenta para identificar a reserva ideal de recursos para garantir a cobertura de despesas;

• Lembre-se de que o estoque pode comprometer o Capital de Giro (CDG) se estiver excessivo, pois representa custos extras de armazenamento e dinheiro, que deveria estar girando;

• Negocie prazos com fornecedores. Esse é um passo importante para manter o CDG

sob controle.

Fonte: administrador de empresas e consultor de gestão da Inside Business Design, Marcelo Scharra

Contas separadas

Empresas familiares, muitas vezes, tendem a unir a conta particular e empresarial. Essa ação representa sério risco para a saúde financeira e para o controle da gestão do negócio.

Segundo Scharra, um dos maiores riscos é a perda do controle financeiro, principalmente, quando os gastos pessoais são altos e acabam fazendo o empresário considerar que sua companhia não está dando lucro.

“Quando a empresa possui mais de um sócio, eles costumam fazer retiradas se precisam de dinheiro, o que pode desequilibrar as finanças. Por conta disso, o mais indicado é determinar um pró-labore para cada sócio e, assim, todos terão um salário definido”, sugere.

Cinco dicas para ter uma boa gestão financeira

1. Nunca misture as contas da empresa com as contas da pessoa física.

2. Avalie se um desconto do fornecedor compensa o volume necessário para obtê-lo.

3. Conheça a capacidade de geração de caixa do negócio.

4. Priorize as alavancas da rentabilidade: mais vendas e menos despesas fixas.

5. Tenha um método de gestão científico. Só com método gerencial é possível melhorar o lucro e a liquidez da empresa.

Fonte: consultor e fundador da Telos Resultados, Luiz Muniz