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sex, 6 maio , 2016

06Nunca foi tão importante estimular e motivar a equipe de trabalho no varejo. Fortalecer a relação entre empresa e colaborador é vital para enfrentar a crise e se manter no mercado

É fato que o Brasil vive um momento tenso, tanto na economia como na política. Mas também é fato que, de alguma forma, empresas precisam faturar para manter empregos e, assim, a própria economia.

Mas com o consumidor controlando mais seus gastos e as dificuldades na manutenção dos resultados, quais os melhores caminhos para preservar a motivação da equipe de trabalho? Essa é uma resposta que tramita por vários caminhos.

A consultora do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, de São Paulo (Sebrae-SP), Maria Terezinha Peres, lembra que motivação é um impulso interno, que acontece de formas diferentes de pessoa para pessoa.

Segundo a especialista, é papel do líder estimular seus funcionários, por meio de ações que venham de encontro às necessidades individuais do profissional. “Conhecer os anseios dos colaboradores é fundamental, pois a necessidade é fator impulsionador importante para a motivação”, reforça.

Ela comenta que as equipes do varejo têm uma característica importante, que é a agilidade para atender os clientes e precisam, assim, de uma liderança efetiva, que saiba identificar o potencial de cada um; treinar os funcionários para melhoria do desempenho e desafios diários; dar retorno de performance; e reconhecer o valor da equipe. “Esses são fatores fundamentais para estimular a motivação das pessoas”, diz.

Ainda de acordo com a consultora do Sebrae-SP, falar claramente dos problemas que afligem a empresa e buscar soluções conjuntas são ações importantes que o líder pode fazer para que seu time seja mais comprometido. “Todos os esforços precisam ser somados ao exemplo diário que o líder deve dar, reforçando a cooperação entre os membros da equipe”, completa.

Apesar da motivação estar tão ligada a fatores particulares, há também elementos comuns à coletividade, e um deles é a busca pelo binômio: dedicação e recompensa. Segundo a personal e professional coach (treinadora particular e profissional), Juliana Albanez, essa recompensa nem sempre é financeira. Ela afirma que quando se fala em civilizações – e aí não importa época, localização ou período –, todo ser humano busca alguma forma de reconhecimento.

“Entre as formas de ser reconhecido estão realização, ou seja, o desejo de um indivíduo de atingir um objetivo que lhe é desafiado; afiliação: vem de uma necessidade de se conectar, ou seja, manter relações positivas com outros indivíduos, para ter sua marca e ideologia aceitas; e, por fim, poder: vem da necessidade de controle, de influenciar pessoas”, comenta.

Via de mão dupla

Ao mesmo tempo em que a empresa tem expectativas em relação ao desempenho de sua equipe, o contrário também acontece, fazendo com que a oferta de benefícios que atendam às necessidades dessa equipe seja um fator importante. “Isso demonstra a preocupação da empresa para com as pessoas e pesa favoravelmente nas contratações e na retenção das pessoas na empresa”, reforça Maria Terezinha.

Benefícios, que vão além dos obrigatórios que constam na Convenção Coletiva da Categoria e também na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), são considerados diferenciais e vão depender da atividade e da realidade da loja.

“Um bom caminho é um programa de ideias, com recompensas de bons projetos ou uma possível participação nos resultados. Outra situação são cursos pagos pela empresa a seus colaboradores, em áreas que possam ajudar na rotina de trabalho. Isso não é obrigatório, mas faz a diferença”, diz Juliana.

Ela alerta, ainda, que o plano de benefícios, algo que é incorporado, como plano de saúde, cartão alimentação, de uma empresa, é importante para buscar e reter talentos. No entanto, ela alerta que o maior impacto é quando os benefícios adquiridos são perdidos.

“Imagine uma empresa que, de um dia para o outro, tira benefícios de seus colaboradores? Isso, sim, pode afetar uma equipe negativamente. Agora, uma premiação, ou seja, um reconhecimento por um objetivo alcançado é um fator motivador e reflete de forma positiva e animadora”, diz.

Ao manter a equipe motivada e engajada, além de ganhos financeiros melhores, a imagem social da empresa é reforçada positivamente pela gestão das pessoas e satisfação do cliente, o que a levará a ter boa referência e visibilidade no mercado.

“Manter a equipe motivada é um desafio para a liderança e começa na decisão de contratação dos membros da equipe, pois a seleção criteriosa e acertada traz pessoas adequadas para contribuir positivamente com a empresa”, acrescenta a especialista do Sebrae-SP.

Para Maria Terezinha, pessoas, que gostam do que fazem e se sentem numa atmosfera harmoniosa, realizam suas atividades com mais vontade, segurança e credibilidade. “Esse ambiente se reflete nos resultados da empresa, porque a comunicação flui com transparência e o cliente percebe a qualidade dos produtos e do atendimento”, finaliza. 

Dez dicas para manter a equipe sempre motivada

1. Propiciar uma boa relação de desempenho e remuneração com os colaboradores da empresa.

2. Criar espaços para alavancar boas ideias, soluções e estratégias dentro da organização.

3. Habilitar a liderança para gerenciar pessoas.

4. Valorizar, publicamente, o colaborador quando merecido.

5. Ter uma liderança que age como fala.

6. Ter líderes preparados para gerenciar a equipe, dando exemplos de boas práticas para o atendimento e de comportamento.

7. Capacitar a equipe.

8. Comunicar-se de forma contínua e clara com os colaboradores.

9.  Atualizar-se com práticas do setor em que a empresa atua.

10. Manter um bom clima organizacional.

Fontes: personal e professional coach (treinadora particular e profissional), Juliana Albanez; e consultora do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, de São Paulo (Sebrae-SP), Maria Terezinha Peres