Fator de motivação e ação

qui, 1 setembro , 2011

Em toda crise, existe, igualmente, oportunidade. Depende de quem lê a realidade. Se você lê-la com olhos de crise, somente a verá. Se ler com os olhos da oportunidade, aí a encontrará

 

A palavra “crise” tem origem na peneira dos gregos. Separação, passagem estreita. É da mesma origem a palavra “crivo”, que separa o duto de água em jatos menores. O crivo separa. Na peneira, estão os bons e os que não devem continuar. Ao peneirar, é feita a separação. Quem é bom fica, quem não deve ficar é lançado fora. Assim é a crise que estamos vivendo. Ficará quem for bom. Ficarão as empresas que se mantiveram fiéis aos seus propósitos de produzir e reinvestir no próprio negócio os recursos advindos da produção. Ficarão as organizações que tiverem as melhores pessoas, capazes de, num momento difícil, criar, inovar e, ao mesmo tempo, conter custos ao extremo da possibilidade até a tempestade passar.

É exatamente com o mesmo sentido que o ideograma chinês que representa “crise”, representa “oportunidade”. Em toda crise, existe, igualmente, oportunidade. Depende de quem lê a realidade. Se você lê-la com olhos de crise, somente a verá. Se ler com os olhos da oportunidade, aí a encontrará.

Durante uma tempestade, o correto não é sair correndo. É abrigar-se e esperar a tempestade passar. Na crise, não é hora de desinvestir no mais valioso recurso que poderá fazer sua empresa sair da adversidade: os talentos humanos, as pessoas realmente comprometidas. Agora, não é hora de jogar a criança fora com a bacia. Peneire com cuidado, jogando fora só o que não deveria mesmo estar ali.

Uma das maiores lições que conheço é o conselho do Marquês de Alorna, General d’Almeida, a Dom José, Rei de Portugal, após o terremoto de Lisboa, de 1755. Como sabe o leitor, o terremoto de Lisboa foi a maior tragédia natural até agora vivida pela Europa. Milhares de mortos. Dom José pergunta ao Marquês o que fazer, e ele responde: “Agora, Majestade, é enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”.

É exatamente isso que devemos fazer em nossas empresas e nossa vida com esta crise que já consumiu 2,8 trilhões de dólares. Enterrar os mortos – não ficar imaginando como seria se a crise não tivesse ocorrido. Nem ficar tentando entender, como empresário simples, as razões mais profundas para ela.

Enterrar os mortos para cuidar dos vivos, cuidar do que sobrou, do que existe de concreto, de real. Fechar os portos significa impedir que novas epidemias cheguem. No século XVIII, os problemas externos, é claro, chegavam pelos portos. Evitar os saques, os abutres. Feche os portos para poder dar foco e cuidar dos vivos. Cuide da economia real.

Não deixe de assistir à entrevista que dei sobre a crise financeira internacional à RTP – Rádio e Televisão Portuguesa – no horário nobre, em Lisboa. Acesse o nosso site www.marins.com.br e, logo na página inicial, encontrará a entrevista. Ela pode ajudar a compreender o que penso e como devemos agir neste momento. Assista. Pense nisso. Sucesso!

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