Equipe engajada se constrói

qui, 7 dezembro , 2017

equipe - Equipe engajada se constróiContratação correta, treinamento adequado e oportunidade de crescimento são passos fundamentais para formar colaboradores comprometidos em evoluir junto com a empresa

Uma das maiores queixas de empresários varejistas é o alto índice de rotatividade da equipe. Há quem coloque a culpa dessa realidade na qualificação dos colaboradores, que buscam ocupação no varejo apenas por falta de opção e de especialização, podendo desistir a qualquer momento em que surja uma oportunidade melhor de trabalho.

No entanto, culpar somente o funcionário está longe de traduzir a real complexidade das relações de trabalho no varejo. Há também que se olhar para dentro do negócio para entender todas as motivações que levam a este resultado.

A comum falta de benefícios agregados ao salário e a baixa perspectiva de crescimento, em um setor que pouco investe em planos de carreira, são alguns dos fatores que devem ser percebidos pelos varejistas.

“A empresa precisa ter boas práticas, ambiente saudável e seguro para o colaborador. Afinal, quem gostaria de trabalhar em um lugar considerado ruim ou inapropriado para o desenvolvimento das pessoas? A relação de trabalho precisa ser boa para os dois lados. O ambiente, o modelo de negócio e o estilo de atuação das pessoas têm papel fundamental na hora de um colaborador decidir se permanece na empresa ou se sai em busca de melhores oportunidades”, alerta a diretora da Esternare, consultoria de comunicação, endomarketing e relações públicas, Cristiane Santos.

O primeiro passo para melhorar as relações dentro da empresa é garantir uma maior consistência do quadro de colaboradores e apurar o processo de contratação de pessoal.

Existem muitas pessoas com perfil adequado para o trabalho no varejo, que têm as habilidades necessárias para criar bom relacionamento com o público e que, verdadeiramente, se realizam trabalhando com atendimento e assuntos ligados à satisfação do cliente.

“Para isso, é preciso que os processos seletivos sejam mais criteriosos, de maneira que se empreguem pessoas com perfil realmente alinhado ao dia a dia do varejo, não apenas alguém que foi contratado às pressas e que, possivelmente, pedirá demissão meses depois porque arranjou outro trabalho. É necessário investir mais tempo na hora de contratar e treinar”, aconselha Cristiane.

Treinamento de equipe

Uma contratação correta é o início do caminho para construir uma equipe interessada e engajada, mas há outras iniciativas que devem ser colocadas em prática. Uma vez contratado um profissional com perfil adequado, é preciso investir em treinamento e capacitação para que ele possa, de fato, desenvolver suas habilidades e entregar um trabalho com cada vez mais qualidade.

Com o treinamento correto, é possível comunicar à equipe como cada uma das atividades ligadas ao dia a dia da empresa devem ser feitas e de qual maneira.

“É primordial que os colaboradores passem por treinamento de função, para que todos recebam as mesmas informações e possam executar o mesmo padrão de atendimento, de qualidade, de segurança, etc.”, explica Cristiane.

Também por meio do treinamento é possível reforçar a cultura e a identidade da empresa. Considerando a alta rotatividade do varejo, é comum que um novo funcionário já tenha atuado em outro empreendimento do ramo – muitas vezes um concorrente. Para que ele se sinta parte integrante da nova empresa e compreenda as regras e metas do novo local de trabalho, é preciso oferecer uma orientação adequada.

“É fundamental explicar e reforçar qual é o papel desse novo colaborador, o que é esperado dele, quais são as regras vigentes, como é o padrão de qualidade, etc. Tudo isso traz mais segurança para que desempenhe seu papel de maneira bem-sucedida”, reforça a especialista da Esternare.

Outra prática que pode ser adotada é oferecer palestras e dinâmicas que permitam a absorção de novos conhecimentos por parte dos colaboradores. “Os treinamentos em grupos podem ser feitos algumas vezes ao ano, respeitando a necessidade de cada empresa e de acordo com a rotatividade da equipe e da necessidade de reforçar, mudar ou criar determinados padrões de atendimento e serviço”, pontua Cristiane.

Caso a empresa não disponha de recursos para promover tais atividades, existe uma série de indústrias e entidades de classe que possuem material e profissionais aptos a oferecer atualização às equipes de varejo.

O importante é que, em meio a uma rotina atribulada, as empresas não se esqueçam de que os colaboradores, em geral, têm interesse genuíno em melhorar, crescer e se desenvolver. No entanto, muitas vezes, não recebem as ferramentas necessárias para a desejada evolução.

Plano de carreira

O passo final para reduzir rotatividade e garantir uma equipe de colaboradores alinhada e engajada é deixar claras as oportunidades de crescimento dentro da empresa.

A maneira mais eficaz de promover isso é formalizar um plano de carreira. O coach e diretor do Marca Pessoal Treinamentos, Aristides Brito, garante que até mesmo um varejo de pequeno porte pode estabelecer metas de crescimento e evolução de cargos.

“Para que colaboradores de uma empresa com poucos funcionários possam crescer profissionalmente, é preciso estabelecer um mínimo de hierarquia”, ressalta.

Entre os cargos que podem ser criados dentro de um pequeno varejo estão: atendente, subgerente, gerente, chefe de contas a pagar, chefe de contas a receber e líder de equipe.

“Cada uma dessas posições exige habilidades específicas da área, mas, em geral, as características imprescindíveis para uma evolução em qualquer carreira são espírito de liderança, proatividade e organização”, acredita Brito.

A maneira mais tradicional de avançar dentro dessa hierarquia é por meio de um plano de atividades e pré-requisitos para o profissional melhorar a posição na empresa e, com isso, sua remuneração.

Nesse caso, é preciso determinar quanto tempo o funcionário deve permanecer em um mesmo cargo e quais conhecimentos – técnicos e acadêmicos – e aspectos comportamentais são necessários para o profissional chegar a um cargo superior.

Há também a possibilidade de trabalhar com um plano de carreira mais flexível, em que os gestores têm de acompanhar de perto o estilo e ritmo de cada funcionário, a fim de dar as oportunidades certas no melhor momento.

Nesse caso, deve-se trabalhar com quatro variáveis: os objetivos do funcionário, os resultados que ele entrega, o potencial que ele tem para desenvolver e as perspectivas da empresa.

Para o sócio fundador da Alliance Coaching, Silvio Celestino, esse modelo mais flexível de plano de carreira é o mais adequado para a realidade atual. “O momento histórico e o sistema financeiro utilizado no mundo provocam crises constantes. Definir um plano de carreira em um cenário em que as empresas não são estáveis é mais difícil”. Além disso, vale levar em conta que a nova geração trabalhadora tem dificuldades em aceitar modelos engessados.

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