Emoções em jogo

qui, 21 julho , 2016

rh-dec-21077Além de uma boa formação acadêmica e conhecimentos técnicos, um líder deve ter controle sobre as emoções para ser capaz de formar uma equipe motivada e competente

Anos de estudo, diploma de uma instituição reconhecida, intercâmbio no exterior, cursos de extensão universitária da área de atuação são as referências mais destacadas no currículo de um profissional que busca uma boa colocação no mercado de trabalho.

De fato, boa preparação acadêmica e experiência prática são fatores essenciais para quem deseja ocupar um cargo de liderança. No entanto, não é o suficiente. Mais do que alguém com currículo extenso e voz firme, as empresas já entenderam que um bom líder precisa ser capaz de ter controle das emoções.

Estudos realizados pela Case Western University, em Ohio, nos Estados Unidos, mostram que entre 76% a 80% da efetividade de profissionais em liderança nas empresas vem das competências existentes no conceito de Inteligência Emocional. Portanto, não basta ser racionalmente inteligente – ter um elevado Quociente de Inteligência (QI). Para implementar as soluções criadas pelo raciocínio, é preciso ter sabedoria para lidar com emoções.

De acordo com o sócio da Alliance Coaching, Silvio Celestino, existem diferentes definições para o conceito de Inteligência Emocional, que variam de acordo com a linha acadêmica estudada; mas, de maneira resumida, trata-se de um agregado de capacidades e competências que influenciam a habilidade de ter sucesso em meio a exigências e pressões do ambiente. “É ter a capacidade de entender, acessar e gerar emoções para auxiliar os pensamentos; regular sentimentos para promover efetivo crescimento intelectual e emocional.”

Assim como uma pessoa que possui apenas inteligência racional dificilmente será um bom líder, o mesmo pode-se dizer de quem deixa as emoções se sobreporem à razão. “Quem não tem controle e maturidade emocional vive de forma inconsciente, pois é dominado pelas emoções e reações, vivendo à mercê dos acontecimentos”, alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBie), Rodrigo Fonseca. 

Detectar e desenvolver

Algumas características pessoais indicam que uma pessoa possui bom controle da Inteligência Emocional. As principais são: agir pautado por um propósito e não pelas emoções; ter poder para escolher um momento específico para acessar uma emoção completamente, assim como saber a hora para não acessá-la; possuir a habilidade de descrever a emoção e conseguir refletir sobre ela. “Todas essas características permitem a um líder de varejo, por exemplo, adotar de maneira mais rápida e efetiva as ações que contribuem para que um resultado seja atingido, com menor perda de energia”, afirma Celestino.

A habilidade de saber lidar com a Inteligência Emocional nasce com as pessoas, mas com treinamento, é possível aperfeiçoar e desenvolver essa capacidade. Programas de coaching (termo em inglês que indica uma atividade de formação pessoal em que um instrutor pode ajudar na evolução de alguma área da vida) buscam identificar as características emocionais de cada pessoa e, a partir da avaliação, são propostos exercícios específicos.

Uma das atividades exercidas é a criação de diálogos internos construtivos. “Qual emoção está sentindo com esta situação? Quais seriam as maneiras novas de pensar e agir nesta situação? Quais seriam as vantagens de adotar estas novas maneiras de agir e pensar? Por meio de perguntas apropriadas, o indivíduo é levado a refletir e, posteriormente, a agir de maneira consciente em acordo com o que deseja realizar”, exemplifica Celestino.

Além de ter controle sobre as próprias emoções, um líder precisa administrar os sentimentos dos liderados. Essa competência é essencial para qualquer chefe, mas ganha ainda mais relevância entre os profissionais que comandam equipes de venda. Isto porque, uma pessoa com bom domínio da Inteligência Emocional sabe ajudar os liderados a pensar e transformar raciocínio em ações; possui maior capacidade para testar soluções, reconhecer erros e fazer correções rápidas para atingir os resultados desejados. “Portanto, em uma equipe de vendas, em que as metas exercem uma pressão constante sobre todos da área, a Inteligência Emocional é um fator de sucesso para os líderes e as equipes”, pontua Celestino.

Divisões da Inteligência Emocional
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