Cuidado com o bebê é aposta da Unicharm

qua, 7 fevereiro , 2018

Detentora da marca MamyPoko, empresa tem a intenção de desenvolver a categoria de fralda-calça no País. Planos são de atingir a liderança neste segmento nos próximos dois anos

Fundada em 1961, a Unicharm iniciou suas operações na Ásia, onde é líder em vendas de fraldas infantis e adulto, além de produtos de higiene feminina. Entretanto, em 2014, a companhia enxergou uma oportunidade de expandir os negócios dentro do mercado brasileiro, por meio da marca MamyPoko, que se tornou reconhecida pelas fraldas-calças.

“Decidimos investir no País, pois é um dos maiores, no mundo, no consumo per capita de fraldas. Além disso, identificamos uma intenção nacional de 95% de compra do produto fralda-calça”, disse o diretor comercial da Unicharm do Brasil, Ricardo Maciel, em entrevista à revista Decnews, reforçando que, hoje, a Unicharm é a terceira maior fabricante de fraldas infantis do mundo.

Acompanhe, a seguir, os planos da empresa para o País, importância do canal farma e alimentar para o desenvolvimento dos negócios e projeções para 2018.

Decnews • Do portfólio de produtos de higiene e cuidados pessoais, quais são os grandes carros-chefes da empresa no mercado?

Ricardo Maciel • Nosso carro-chefe é a fralda-calça, que carrega mais de 20 patentes, garantindo um produto de alta qualidade e performance. No Brasil, temos apenas fraldas infantis e toalhas.

DN • Qual o conceito da fralda-calça MamyPoko? Como ela se diferencia em absorção e apresentação?

Maciel • O conceito da fralda-calça se traduz em trazer facilidade para a mãe e conforto para o bebê. Nosso produto se diferencia não somente na absorção, mas também nos materiais utilizados, já que disponibilizamos um corpo 100% respirável, que garante maior conforto para o bebê, diminuindo assaduras. A absorção do produto chega a ser 20% superior à do nosso principal concorrente. Acreditamos que, no médio prazo, o mercado mude do produto atual (fita) para fralda-calça. Quanto mais consumidores experimentarem e entenderem os benefícios dessa categoria, maior será a migração.

DN • Como a MamyPoko tem crescido no mercado brasileiro?

Maciel • Quando iniciamos nossa operação, o mercado de fralda-calça era de menos de 1% do mercado total no País. Hoje, esse percentual chegou a 7,5%,

num período de apenas três anos e meio. Desse total, detemos mais de 30% de mercado e, em vários estados, já obtivemos a liderança.

DN • No Brasil, a MamyPoko já se consolida entre as maiores fabricantes de fraldas?

Maciel • Não, mas há uma justificativa. Como nosso objetivo é desenvolver a categoria fralda-calça, ainda temos uma participação pequena no mercado total. Mas, como disse, a categoria fralda-calça tem apenas três anos e meio e já detém 7,5% do mercado total de fraldas, demonstrando o potencial desta categoria.

DN • Qual tem sido a importância dos mercados de vizinhança e farmácias para as vendas da empresa?

Maciel • Ambos permitem maior disponibilidade e acesso do produto aos consumidores, atendendo ao desafio da Unicharm, de expandir nossa distribuição numérica, atendendo às peculiaridades de cada cluster (segmento de mercado). Para isso, contamos com grandes parceiros de distribuição, em especial os DECs (Distribuidores Especializados em Cosméticos).

DN • O mercado já visualiza que 2018 será o ano de início de retomada do País. Como a Unicharm projeta o próximo ano? Vocês esperam um crescimento ainda maior do segmento de higiene pessoal?

Maciel • Nossa meta de crescimento para 2018 é de 38% sobre 2017. Assim, nossas projeções não estão alinhadas com o momento econômico do Brasil, pois crescemos em todos os anos, mesmo com toda a crise. Em 2018, acreditamos que o segmento de fralda-calça alcance mais de 15% de mercado e, nos próximos dois anos, ainda estamos focados em ganhar distribuição e nosso objetivo é alcançar a liderança no segmento fralda-calça.

DN • Mesmo com a crise, as mães não deixaram de adquirir fraldas descartáveis?

Maciel • Atualmente, grande parte das mães trabalha fora e não é mais possível deixar de utilizar fraldas descartáveis. Além disso, o bebê é a principal preocupação dos pais que tentam propiciar o melhor para seus filhos. Numa época de crise, há um corte de despesas em diversas classes de custos, mas o bebê será sempre o último impactado. Nesse sentido, notamos uma procura por produtos melhores, com valores mais altos, mas que entregam uma performance melhor. Para se ter uma ideia, o mercado de fraldas perde 2% em volume (unidades), mas cresce 9% em valor (2017 vs. 2016).