Crise? Que crise?

ter, 6 setembro , 2011

As perspectivas para este ano continuam boas para quem está focado no seu negócio e não se impressiona com problemas que nada têm a ver com o mercado no qual está operando

Nos últimos meses, só se ouve falar em crise. Ela está nas manchetes dos jornais, nos noticiários da televisão e nos programas de rádio. O “efeito manada” se encarrega de atrapalhar a vida de empresas que não têm nada a ver com a crise. Por precaução, passam a comprar menos, a oferecer menos
mercadorias, a investir menos no seu negócio.

E você, já foi contaminado pela crise? Acha que sua empresa vai adoecer do mesmo modo que a General Motors, que os irresponsáveis bancos americanos e europeus? Se a resposta for sim, lamento, mas não há nada a ser feito. Você será mais uma vítima das circunstâncias. Mas se a resposta for não, parabéns. Porque sua empresa não tem nada a ver com aquilo que está ocorrendo no resto do mundo e você pode ser um dos poucos empresários que se fortalecerão com os acontecimentos vindouros.

Vamos ver por que isso pode acontecer realmente.

Em primeiro lugar, esta crise vai terminar dentro de dois ou três anos nos países desenvolvidos. As manchetes que estamos lendo e ouvindo se referem ao que está acontecendo fora do Brasil.

Quem está sendo afetado aqui são os exportadores que apostaram tudo no mercado externo, e que agora estão fi cando sem mercado para seus produtos, e os aventureiros que, arriscaram seus recursos nos mercados futuros de câmbio.

No exterior a situação é diferente.

A General Motors, para citar uma empresa notável que está em dificuldades, se debate em estratégias mercadológicas inadequadas há mais de 10 anos. Enquanto o mundo caminhava na direção de carros menores e mais econômicos, os fabricantes americanos – principalmente a GM – continuaram produzindo carros com 6 e 8 cilindros que fazem 5 quilômetros com um litro de gasolina. O desemprego e a falta de crédito no mercado americano se encarregaram de mostrar que não adiantava trocar um “possante” por outro igual. E o mercado desabou.

Aqui as indústrias automobilísticas estão vendendo menos desde outubro, porque acabou o festival da venda em 100 meses. Acredito que a crise dos países desenvolvidos vai mostrar sua cara por aqui de forma mais benigna. Afetará algumas empresas, mas a maioria sairá ilesa.

Para tanto, existem algumas premissas. A primeira delas, e mais importante, é não estar endividado. No Brasil têm mais possibilidade de sucesso as empresas que trabalham com capital próprio. Em segundo lugar é preciso ter estratégias claras para atender o mercado-alvo da empresa. Essas estratégias precisam estar em consonância com as expectativas do mercado. Por último a empresa deve dar preferência à acumulação de caixa. Empresas com caixa disponível podem aproveitar oportunidades de mercado que seus concorrentes não conseguem alcançar.

O mercado está se segmentando através da especialização no atendimento. Isso faz com que as empresas que estão aderindo a essa estratégia tenham
muito mais foco nas expectativas de seus clientes, podendo satisfazê-las do modo mais adequado.

As perspectivas para este ano continuam boas para quem está focado no seu negócio. Portanto, nada de pessimismo. É preciso muita tranquilidade para que as decisões sejam pautadas por uma análise fria e pertinente ao negócio.
Um excelente 2009 para todos.

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Nelson Barrizzelli é economista, professor da
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo(USP) e sócio-gerente da AGC Internacional – Profit Drivers.
E-mail: barrizzelli@agcintl.com

 

 

 

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