Cesta incompleta

qua, 18 janeiro , 2017

Índice de rupturas no varejo supermercadista aponta que são muitos os brasileiros que não conseguem concluir a lista de compras numa única loja, trazendo prejuízos para o consumidor e ao resultado final dos negócios

Em janeiro de 2016, o índice de rupturas – falta de produtos na gôndola – registrou uma grande alta no varejo supermercadista como um todo, chegando a 13,08%, segundo dados da Neogrid – em parceria com a Nielsen –, que monitora este indicador em mais de dez mil lojas espalhadas pelo País. Isso significa que a cada 100 produtos, pouco mais de 13 estavam indisponíveis no ponto de venda (PDV).

Embora no terceiro trimestre tenha sido registrada uma recuperação, com 9,81% (em setembro) e de 9,74% no setor de Higiene & Beleza (H&B) especificamente, o resultado ainda está longe do ideal. “O indicador ainda se mantém alto quando comparado aos índices históricos de 8%”, analisa o diretor de relacionamento com o varejo da NeoGrid, Robson Munhoz.

Segundo ele, 2016 foi marcado pela instabilidade política e econômica. E devido à crise, notou-se uma mudança nos hábitos de consumo da população; certo pessimismo da indústria; e o receio do varejista em comprar alguns produtos e não vender, fatores que refletiram na variação do indicador de ruptura.

Mas seja qual for o motivo, é fato que essa falha pode trazer prejuízos sensíveis ao negócio. “A falta de produtos pode impactar na perda de vendas e no baixo giro de estoque. Quando o consumidor não encontra o que deseja na gôndola, ou ele busca o mesmo item em outra loja – o que gera prejuízo para o varejo –, ou leva o produto de outra marca – o que impacta a indústria”, alerta o especialista da Neogrid. Assim, comprova-se que, seja qual for o momento econômico, reduzir as compras a ponto de culminar em rupturas só pode trazer prejuízos ao negócio.

O consultor de empresas e fundador da Telos Resultados, Luiz Muniz, diz que a ruptura no varejo é inadmissível já que mostra que a missão do negócio não está sendo atendida. “Se o cliente não encontra o produto que quer, ele não compra. Ainda mais em épocas de crise, quando se precisam priorizar as decisões. Assim, o primeiro prejuízo, quando existe ruptura, é a perda de vendas e o negócio do varejo é justamente vender”, reflete.

Fuja dos erros

Quando o planejamento da loja não é adequado, nota-se um descompasso entre operação e compras, comprometendo a gestão por categorias e culminando em rupturas. Assim, para que falhas não aconteçam, uma etapa importantíssima é o pleno controle dos estoques. Ao manter altos níveis de armazenamento de produtos de baixo giro, por exemplo, o varejista deixa seu capital parado.

Em contrapartida, deixar faltar produtos nas prateleiras pode gerar a perda de vendas. “O varejo não precisa ter o maior mix, mas, sim, o sortimento adequado à sua clientela. Essa afirmação é praticamente senso comum, mas são pouquíssimas as empresas que têm um modelo de gestão capaz de identificar as reais necessidades dos clientes. Como não sabem, o estoque fica inconsistente. Sobra o que não vende e falta o que o cliente busca”, adverte Muniz.

O especialista da NeoGrid avalia que a melhor saída é reagir na velocidade do consumidor. “O ideal é realizar o controle de estoque a partir da demanda”, aconselha.

Outro cuidado está relacionado ao momento de reposição do produto na gôndola, em que falhas humanas podem acontecer. Nesse sentido, uma saída pode ser a de contar com a parceria de fornecedores confiáveis, aptos a realizar esse trabalho. Mas para que esse processo seja viável, precisa-se ter confiança entre os envolvidos.

“Nesse momento, o varejo deve dar visibilidade dos giros de produtos para que o fornecedor consiga se planejar e prestar um bom serviço ao varejo. Assim, com processos e tecnologia correta, a garantia de produtos na gôndola se torna certa”, aconselha Munhoz.

Autor: Kathlen Ramos