Capital de giro: a garantia das operações

sex, 15 junho , 2018

Fórmula é responsável por sustentar financeiramente as atividades diárias da empresa, contemplando todo o ciclo operacional. Saiba como calculá-la e os riscos de reservas negativas

Decurso financeiro necessário para quitar todas as contas que movimentam o dia a dia da empresa. Essa é uma definição simplificada para o chamado Capital de Giro, que se constitui como a reserva responsável por garantir a continuidade de um negócio. “Capital de Giro é um indicador que compõe o perfil de liquidez da empresa e representa o saldo entre as aplicações (ativo circulante) e as fontes de recursos de curto prazo (passivo circulante). De uma forma mais prática, o Capital de Giro mede a capacidade que a empresa tem de honrar seus compromissos em dia, sem precisar de terceiros”, resume o consultor empresarial e fundador da Telos Resultados, Luiz Muniz.

O diretor vogal do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), prof. Nuno Fouto, complementa explicando que o ativo circulante é constituído por contas a receber, estoques, caixa…; e o passivo circulante representa os salários, impostos, fornecedores… “Para o varejo, que costuma ter vendas irregulares, com meses que apresentam melhor resultado do que outros, é interessante ter um pouco mais de ativos do que de passivos para não correr riscos”, aconselha.

Portanto, empresas que operam com o Capital de Giro negativo podem sofrer uma série de riscos, sendo que o principal deles é o de não conseguir manter a empresa em funcionamento, conforme alerta o consultor financeiro do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Sebrae-SP), Emerson Pelaquim Rabelo.

“A empresa pode não conseguir colocar produtos de reposição, não alcançar crédito no mercado e não acompanhar os prazos de recebimento, por exemplo. Se o varejista faz parcelamento no cartão de crédito, muitas vezes, o lucro só virá na última parcela. E é justamente o Capital de Giro que dá suporte para que essas operações aconteçam”, comprova.

O prof. Fouto alerta que, sem Capital de Giro, a empresa pode quebrar. “O negócio pode ter lucro operacional, mas se o varejista não tem recursos para pagar os fornecedores ou os salários, por exemplo, terá de recorrer a bancos, e esse capital pode sair muito caro. E se o banco não conceder o crédito, o cliente pode pedir a falência da empresa, já que a mesma não tem liquidez para quitar suas contas”, adverte o especialista do Ibevar.

Diante dessa importância, o Capital de Giro deve ser pensado, inclusive, quando se abre um negócio, mas nem sempre é o que acontece. Embora estudar o valor do ponto comercial, estoques, contratações ou equipamentos constitua questões que surjam mais naturalmente na hora de elaborar estratégia, o Capital de Giro precisa estar junto com todos esses outros elementos, pois é responsável pela sustentabilidade da empresa.

“Ao abrir um negócio, aconselhamos que seja desenvolvido um planejamento detalhado, descrevendo todos os investimentos fixos, considerado o que se espera receber em vendas, e todas as despesas, como retirada do proprietário e demais salários, contas de água, luz, entre outros. Esse saldo de recebimento e de saídas já dá um bom parâmetro para o desenvolvimento do Capital de Giro ideal”, sinaliza Rabelo.

Sem liquidez, sem competitividade

Empresas sem Capital de Giro próprio ficam vulneráveis. Quando ele está negativo, significa que a empresa não tem recursos próprios para realizar seus pagamentos. Portanto, precisará recorrer ao capital de terceiros, como bancos, fornecedores e clientes, a fim de arcar com seus compromissos.

“Esse tipo de recurso encarece a operação e, além disso, quando o Capital de Giro está negativo, a empresa deixa de aproveitar algumas oportunidades de mercado por não ter poder de barganha de negociação com os fornecedores”, adverte Muniz.

Assim, partindo da premissa de que competitividade é a capacidade de oferecer produtos de maior valor agregado aos clientes, se comparado aos concorrentes; e maior retorno aos acionistas e empreendedores, pode-se dizer que quando o Capital de Giro está negativo, perde-se competitividade.

“Se a empresa não tem capital para negociar com os fornecedores, isto pode acarretar em ter de arcar com taxas de juros, que podem ser altas. E se a loja tem concorrentes que conseguem comprar sem juros, sem dúvidas, eles podem sair na frente”, alerta Rabelo.

Controle dos estoques é crucial

O estoque tem, sem dúvidas, uma forte participação na hora de calcular o Capital de Giro. Assim, se todas as obrigações da empresa forem cumpridas e sobrar uma pequena liquidez, porém o estoque estiver baixo ou não controlado, o planejamento está errado e pode levar a rupturas. E quanto maior o estoque, maior precisa ser o Capital de Giro. Para esse momento, segundo orientação do Sebrae-SP, o ideal é contar com fornecedores que atuam com venda fracionada.

“Para não comprometê-lo, o melhor é usar o método chamado de just in time, no qual se conta com fornecedores que fazem entregas rápidas e na quantidade necessária para aquele momento. Em muitas lojas, inclusive, o estoque está na gôndola”, sugere Rabelo.

O DEC (Distribuidor Especializado em Cosméticos) trabalha nesse sentido, oferecendo, aos seus clientes em todo o País, vendas por unidade, possibilitando um menor investimento em mercadorias (estoques) e também uma maior variedade de produtos.

Entretanto, apesar da importância do controle dos estoques para manter o Capital de Giro em dia, não é apenas nele que os esforços devem estar concentrados para manter este recurso em dia. “Outros fatores precisam ser gerenciados e dependem, todos eles, sem exceção, de um modelo de gestão que englobe não apenas as diretrizes financeiras, comerciais e operacionais, definindo metas de crescimento e rentabilidade, mas também a gestão da rotina eficaz que oriente o estabelecimento de planos de ação consistentes”, finaliza Muniz.