Bolso inteligente

seg, 26 setembro , 2016

financeiro-26099Garantir uma aposentadoria confortável, fazer aquela tão sonhada viagem ou acumular uma reserva de caixa para a empresa exigem decisões corretas na hora de investir dinheiro. Confira as alternativas disponíveis no mercado

Poupar não está na cultura do brasileiro. Além das pessoas terem pouca ou nenhuma educação financeira na escola, existem alguns hábitos antigos da época em que as taxas de inflação eram galopantes. Era preciso gastar todo o salário assim que ele caía na conta, pois dali a dois dias a compra do supermercado já sairia muito mais cara.

Hoje em dia, a alta da inflação observada nos últimos meses não chega nem perto do cenário de antes. Assim, é possível – e preciso – poupar. De acordo com o professor e fundador da Academia do Dinheiro, Mauro Calil, a fórmula financeira do brasileiro está equivocada. Costuma ser: renda – consumo = poupança, enquanto o correto é: renda – poupança = consumo. “Guardar antes de gastar”, conclui.

Mas mesmo quando consegue poupar certa quantia, a população tende a enfrentar problemas; não sabendo o que fazer com aquele dinheiro. A primeira atitude costuma ser buscar a ajuda do gerente do banco, no entanto, Calil desaconselha a prática. “É o maior erro que se pode cometer. O gerente vai olhar a tela de metas e te colocar no melhor produto para ele. Se for bom para você, é uma obra do acaso, não é devido ao esforço em entender as suas necessidades.”

O caminho correto para essa prática, de maneira inteligente, começa, então, pelo autoconhecimento. É preciso se fazer uma série de perguntas, como: Quanto tenho para poupar? Qual o objetivo da reserva financeira? Quero resgatar esse dinheiro dentro de quanto tempo?

“É muito diferente guardar R$ 100 mil de uma vez do que R$ 5 mil todo o mês. O cenário também muda se você quer resgatar a quantia daqui a seis meses ou seis anos. O investimento é para trocar de carro, para modernizar a loja, para aposentadoria ou para pagar uma viagem em família? Com essas respostas, você consegue traçar um plano e dar o destino correto ao dinheiro”, detalha Calil. 

Diferentes cenários

Definidos quantia, prazo e objetivo da poupança, é possível ir mais a fundo quanto aos tipos de investimentos disponíveis no mercado. Tudo muda de acordo com a situação do investidor. Segundo a palestrante e planejadora financeira pessoal CFP®, Viviane Ferreira, quando se tem um bom montante de dinheiro para investir em longo prazo, é importante acompanhar a rentabilidade e as mudanças de cenário. “Com essa visão, é interessante investir nos títulos do governo, como o “Tesouro IPCA+”, e nos títulos de empresas, como as debêntures”, aconselha.

Já para quem tem um bom montante a poupar, mas terá de utilizar o dinheiro dentro de um ou dois anos, o mais interessante é investir em Letras de Crédito Agrícola (LCA) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Outra possibilidade são os Certificados de Depósito Bancários (CDBs) dentro do limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – entidade privada, sem fins lucrativos, que administra um mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores.

“São títulos que possuem uma rentabilidade definida por um prazo determinado, geralmente, por um ou dois anos, sem a possibilidade de resgate (sem liquidez)”, explica Viviane.

Já para quem quer poupar certa quantia todo o mês, o cenário muda diante do prazo de resgate. Os títulos Tesouro IPCA+ (anteriormente chamados de NTN-Bs), do Tesouro Direto, são bem interessantes para quem quer poupar um pouco por mês no longo prazo.

“Já no curto e médio prazos, o investimento deve ser realizado em fundos de renda fixa ou nos outros títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Prefixado e o Tesouro Selic”, indica Viviane.

Autor: Flávia Corbó